terça-feira, 6 de outubro de 2009


ESTÉTICA DO PLÁGIO

A estética de “Com Defeito de Fabricação” reutiliza a sinfonia cotidiana do lixo civilizado, orquestrada por instrumentos individuais ou não: brinquedos, carros, apitos, serras, orquestras de hertz, ruídos das ruas etc. Unidos num alfabeto sonoro de emoções, contidas nas canções e símbolos musicais que marcaram cada passo de nossa vida afetiva. A forma é dançável, rítmica, quase sempre A-B-A, com coros, refrões, e quase sempre dentro dos padrões da musica popular. O aproveitamento desse alfabeto se dá em pequenas células, citações e plágios deslavados.
Hoje, também pelo esgotamento das combinações dos sete graus da escala diatônica (mesmo acrescentando alterações e tons vizinhos) esta prática, desencadeia sobre o universo da musica tradicional, uma estética do plagio, uma estética do arrastão*.
Podemos concluir portanto, que terminou a era do compositor, a era autoral, inaugurando-se a era do plágicombinador, processando-se uma entropia acelerada.
TOM ZÉ

COM DEFEITO DE FABRICAÇÃO

O terceiro mundo tem uma crescente população.
A grande maioria transforma-se numa espécie de “andróide”, quase sempre analfabeto e com escassa especialização para o trabalho.
Isso acontece aqui, nas favelas do Rio, de São Paulo, no nordeste do país, e em toda periferia da civilização. Esses andróides são mais baratos que o robô operário fabricado em Alemanha e Japão.
Mas revelam alguns defeitos inatos, como criar, pensar, dançar, sonhar. São defeitos muito “perigosos” para o padrão primeiro mundo.
Aos olhos dele, nós quando praticamos essas coisas por aqui, somos “andróides” com defeito de fabricação.
Pensar será quase sempre uma afronta.
Ter idéias, compor, por exemplo, é ousar. No umbral da historia, o projeto de juntar fibras vegetais e criar a arte de tecer foi uma grande ousadia, Pensar sempre será.
TOM ZÉ

A ARTE DE COMBINAR

Num contexto onde as informações circulam em torno da individualidade de cada um, bombardeando com luzes coloridas, propondo e sugerindo signos a todo instante, onde o individuo se vê dentro de tudo isso como um próprio emaranhado de símbolos semióticos, trama de significados, poderíamos concluir que a totalidade do que somos é produto das informações que nos transformaram e que agem sobre nosso subconsciente a todo momento. Portanto nossas idéias são combinações das idéias a que estivemos expostos, em maior ou menor grau, a originalidade consiste em traduzirmos de acordo com nossas impressões anteriores e interiores as informações e possibilidades do mundo de da vida.

Tanto na musica eletrônica da era da cibercutura com a era da combinação digital, através samplers onde se recriam beats e sonoridades eletrônicas através da recombinação e mistura num caldeirão eletrônico, de todo um acervo já produzido anteriormente, quanto na dramaturgia com a era da hipertextualidade e do hiperdrama, onde as individualidades se combinam para criar o novo, é visível a presença abrangedora do conceito de criação livre e coletiva.
LUIZ HENRIQUE M. CLETO

sexta-feira, 18 de setembro de 2009


ARTE CÊNICA BINÁRIA


O impacto das novas mídias digitais dentro da produção teatral contemporânea vem se delineando de acordo com as novidades tecnológicas.

Desde as maquinas voadoras do teatro grego, passando pela invenção da perspectiva e posteriormente à implantação da luz elétrica, o surgimento do radio e do cinema, na atualidade o potencial criativo, mediado pela tecnologia digital surge com infinitas possibilidades:

Com a INTERNET os corpos se digitalizam e surge o TEATRO EXPANDIDO, a presença física do ator como principio fundamental do teatro, passa a ser revista e surge o paradigma de uma presença digital onde as fronteiras de tempo e espaço (que dentro do teatro seguem uma lógica particular) podem ser revistas e ampliadas em suas possibilidades, um ator pode contracenar com outro à km de distancia mediado pelas novas tecnologias da comunicação, além de que, uma nova forma de narrativa surge dentro do contexto da dramaturgia; o hiperdrama.

O hiperdrama em sua origem se baseia nos conceitos e princípios representados pelo hipertexto, uma trama de possibilidades a serem percorridas dentro de uma obra dramaturgica, onde o leitor ou o expectador interfere e transforma o trabalho do dramaturgo ou do encenador (que dentro do contexto da cibercultura perdem seu lugar privilegiado dentro das hierarquias: autor, encenador / expectador).


De acordo com Pierre Levi em seu livro Cibercultura, os testemunhos artísticos da cibercultura são obras-fluxo, obras-processo ou mesmo obras-acontecimento, quanto mais a obra explorar as possibilidades de interação e interconexão e pelas possibilidades de criação coletiva, mais será representativa da cibercultura.

Embora em todos esses casos e exemplos de construtivismo representados pelo hiperdrama a figura do autor ainda será aquela que determina e dá sentido á totalização da obra.

Disponibilizo aqui o manifesto binário publicado pela companhia La Fura dels Baús:

“ Teatro digital é a soma entre atores, 0 e 1 se movimentando na internet. A ação de dois atores em dois tempos e espaços diferentes correspondem a tempos infinitos e espaços virtuais. (…) O teatro digital é a linguagem binária sendo usada para conectar o orgânico com o inorgânico, o material com o virtual, o ator real com o avatar, a plateia presente com usuários de internet, o palco físico com o ciberespaço.”
Manifesto Binário.

Mais links de grupos de teatro e estudiosos que pesquisam sobre o assunto:

Rodolfo Araújo, Phila 7, La Fura dels Baus, Station House Opera, II Trupe de Choque e Cia. Automecânica de Teatro,

quarta-feira, 2 de setembro de 2009


A nova relação com o saber

Para uma reflexão mais abrangente sobre o futuro da educação e de formação dentro das possibilidades abertas pela cibercultura será necessária uma analise sobre os processos de mutação nas áreas do saber e das tecnologias. Sendo que as competências adquiridas por uma pessoa durante a vida vão se transformando para se adaptarem ao ritmo das evoluções técnicas e culturais que ocorrem de forma vertiginosa durante a vida do individuo, se torna necessário um constante processo de adaptação e aprendizagem contínua para que ocorra uma renovação em seus conhecimento que o permitam melhor adaptação ao meio.

Outro fator relevante é a constatação de que trabalho e a escola do futuro não terão limitações em sua produção de saberes, sendo um complemento do outro, trabalhar se tornara sinônimo de aprender e criar, produzir saberes e transmitir conhecimentos.

O ciberespaço dentro dessa dinâmica de construção da realidade social, será fator amplificador das capacidades cognitivas humanas: memória (banco de dados, arquivos de todos os tipos, hipertextos), imaginação (simulação), percepção (sensores digitais, telepresença, realidades virtuais), raciocínios (inteligência artificial, modelização de fenômenos complexos).

Todas essa novas tecnologias nos oferecem novas formas de acesso à informação, novos estilos de raciocínio, de simulação e de pesquisa.

Essas possibilidades tecnológicas são objetivadas em documentos digitais disponíveis na rede de forma a poderem ser compartilhadas por numerosos indivíduos amplificando portanto o potencial de inteligência coletiva dos grupos.

O saber fluxo que se estabelece nas relações exigem uma nova concepção de educação, um novo estilo de pedagogia que favoreça ao mesmo tempo as potencialidades criativas personalizadas individuais e coletivas em rede. Neste novo ambiente a figura do professor passa de ao invés de transmissor de conhecimento, para uma espécie de animador, ou guia das inteligências coletivas dos alunos dentro dos ambientes de aquisição do conhecimento permeado pelas novas tecnologias. O professor do futuro atuara como canalizador dos conhecimentos e ao mesmo tempo em que ajuda os alunos a descobrir também descobre e aprende dentro dos processos de construção do conhecimento.

Os sistemas públicos de educação deverão tomar para si a responsabilidade de orientar os percursos individuais no saber e de tomar para si o conjunto dos saberes pertencentes as pessoas e contribuirão par a expansão de uma nova economia do conhecimento.

Bibliografia- LEVI- Pierre/ A cibercultura/ editora 34

domingo, 30 de agosto de 2009


Estamos diante de uma geração de educandos e de educadores onde os processos de aprendizagem ou de aquisição dos conteúdos de conhecimento se estabeleceram de acordo com o bombardeio de informações que chegam por todos os lados, os estímulos vem a cada segundo e através de diferentes veículos: áudio visuais, hipertextuais, digitais, dinâmicos, e muitas vezes superficiais, devem ser utilizados conscientemente pelo professor que os deverá adaptar, selecionar, direcionar aos conteúdos para que se enquadrem aos parâmetros curriculares a que se pretende que o aluno assimile. Para tanto a sala de aula devera estar equipada com material adequado que permitira a utilização dos recursos tecnológicos da maneira mais natural o possível.

As premissas de uma pedagogia baseada nas teorias construtivistas, sugerem que a nova sala de aula seja um ambiente de descobertas mútuas, trocas de experiências que permitam a solidificação dos laços sociais e dos conteúdos de conhecimento idealizados, os mesmos conteúdos de conhecimento devem dentro da sala de aula sofrer mudanças de acordo com o confrontamento com a realidade, a descobertas de novas perspectivas se adaptando e se ajustando de acordo com as experiências vividas pela coletividade.
O papel dos professores de arte diante das novas tecnologias da comunicação

Diante das possibilidades abertas pelas novas tecnologias da comunicação, no que se refere a instrumentalizar e amplificar as capacidades comunicativas do professor em sala de aula, exige-se uma nova postura e a aquisição de novas habilidades, novos conhecimentos e principalmente uma mudança das atitudes e mentalidades por parte dos professores, a fim de que se abra espaço e se implemente de forma significativa todos os projetos de modernização da educação, e assim situem-se melhor para a resolução desse novo paradigma. Todo aparato tecnológico deve ser aplicado conscientemente, ordenadamente dentro dos processos educacionais e para isso espera-se que o professor tenha desenvolvido a capacidade de lidar com esses equipamentos para através deles gerar informação, cultura e conhecimento, além de que, para o professor de artes as ferramentas multimídiaticas são excelentes recursos a serem explorados em sua capacidades de produção plástica da obra em si, como também agindo como suporte para pesquisas.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009


O texto produzido a partir do livro Inteligência Coletiva do Pierre Levy propõem situar o atual estágio da evolução em uma perspectiva histórica e antropológica para através disso engendrar fundamentos que permitam nortear as práticas, as decisões e as políticas que envolvam questões relacionadas ao ciberespaço.

Levi parte da idéia de um planeta nômade onde os homens desbravam uma nova dimensão, e constroem juntos mundos virtuais, onde a mobilidade não se dá através do deslocamento do corpo do observador, é o mundo que se desloca ao seu redor, vertiginoso espaço onde o viajante atravessa universos de problemas e de sentidos sem precisar sair de onde está. O nomadismo ainda se refere às transformações continuas e rápidas das paisagens técnicas, cientificas, econômicas, profissionais, mentais...

De acordo com as premissas de que as idéias, as técnicas e os símbolos se universalizam trocam informações se constroem mutuamente e perdem suas fronteiras geográficas, Levi nos propõem o engajamento ao que ele chama de Inteligência Coletiva para que a totalidade de indivíduos passe a concentrar as energias intelectuais, criativas, para podermos pensar em grupo a assim multiplicar nossas experiências, imaginações, negociar em tempo real políticas e soluções aos problemas do mundo.


PIERRE LEVI:

http://uab.unb.br/moodle/file.php/525/site/textos/Pierre_Levy.pdf

terça-feira, 18 de agosto de 2009

The heart Breakers




Letra de Musica: Mundo Ciborgue
Autor: Luiz Henrique

Você robô meu coração,
Ciborgue, o meus óculos
No seu Web-espaço.
Me deletaram friamente

Conheci Teresa no Orkut
Ela usava um decote
Bebia Vermute
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Me tornei aflito!
Me tornei aflito!

Um hipertexto se abriu em minha mente
Pensei ser Deus, o que deveras sente,
Me mandando intuições eletrônicas
Me enganei, tomei um choque,
Então compus um rock!
Então compus um rock!

Vídeo arte, erupção.
Botaram pilhas no planeta
Ligaram fios elétricos
Sobre a civilização.
Então compus essa canção!
Então compus essa canção!