sexta-feira, 18 de setembro de 2009


ARTE CÊNICA BINÁRIA


O impacto das novas mídias digitais dentro da produção teatral contemporânea vem se delineando de acordo com as novidades tecnológicas.

Desde as maquinas voadoras do teatro grego, passando pela invenção da perspectiva e posteriormente à implantação da luz elétrica, o surgimento do radio e do cinema, na atualidade o potencial criativo, mediado pela tecnologia digital surge com infinitas possibilidades:

Com a INTERNET os corpos se digitalizam e surge o TEATRO EXPANDIDO, a presença física do ator como principio fundamental do teatro, passa a ser revista e surge o paradigma de uma presença digital onde as fronteiras de tempo e espaço (que dentro do teatro seguem uma lógica particular) podem ser revistas e ampliadas em suas possibilidades, um ator pode contracenar com outro à km de distancia mediado pelas novas tecnologias da comunicação, além de que, uma nova forma de narrativa surge dentro do contexto da dramaturgia; o hiperdrama.

O hiperdrama em sua origem se baseia nos conceitos e princípios representados pelo hipertexto, uma trama de possibilidades a serem percorridas dentro de uma obra dramaturgica, onde o leitor ou o expectador interfere e transforma o trabalho do dramaturgo ou do encenador (que dentro do contexto da cibercultura perdem seu lugar privilegiado dentro das hierarquias: autor, encenador / expectador).


De acordo com Pierre Levi em seu livro Cibercultura, os testemunhos artísticos da cibercultura são obras-fluxo, obras-processo ou mesmo obras-acontecimento, quanto mais a obra explorar as possibilidades de interação e interconexão e pelas possibilidades de criação coletiva, mais será representativa da cibercultura.

Embora em todos esses casos e exemplos de construtivismo representados pelo hiperdrama a figura do autor ainda será aquela que determina e dá sentido á totalização da obra.

Disponibilizo aqui o manifesto binário publicado pela companhia La Fura dels Baús:

“ Teatro digital é a soma entre atores, 0 e 1 se movimentando na internet. A ação de dois atores em dois tempos e espaços diferentes correspondem a tempos infinitos e espaços virtuais. (…) O teatro digital é a linguagem binária sendo usada para conectar o orgânico com o inorgânico, o material com o virtual, o ator real com o avatar, a plateia presente com usuários de internet, o palco físico com o ciberespaço.”
Manifesto Binário.

Mais links de grupos de teatro e estudiosos que pesquisam sobre o assunto:

Rodolfo Araújo, Phila 7, La Fura dels Baus, Station House Opera, II Trupe de Choque e Cia. Automecânica de Teatro,

quarta-feira, 2 de setembro de 2009


A nova relação com o saber

Para uma reflexão mais abrangente sobre o futuro da educação e de formação dentro das possibilidades abertas pela cibercultura será necessária uma analise sobre os processos de mutação nas áreas do saber e das tecnologias. Sendo que as competências adquiridas por uma pessoa durante a vida vão se transformando para se adaptarem ao ritmo das evoluções técnicas e culturais que ocorrem de forma vertiginosa durante a vida do individuo, se torna necessário um constante processo de adaptação e aprendizagem contínua para que ocorra uma renovação em seus conhecimento que o permitam melhor adaptação ao meio.

Outro fator relevante é a constatação de que trabalho e a escola do futuro não terão limitações em sua produção de saberes, sendo um complemento do outro, trabalhar se tornara sinônimo de aprender e criar, produzir saberes e transmitir conhecimentos.

O ciberespaço dentro dessa dinâmica de construção da realidade social, será fator amplificador das capacidades cognitivas humanas: memória (banco de dados, arquivos de todos os tipos, hipertextos), imaginação (simulação), percepção (sensores digitais, telepresença, realidades virtuais), raciocínios (inteligência artificial, modelização de fenômenos complexos).

Todas essa novas tecnologias nos oferecem novas formas de acesso à informação, novos estilos de raciocínio, de simulação e de pesquisa.

Essas possibilidades tecnológicas são objetivadas em documentos digitais disponíveis na rede de forma a poderem ser compartilhadas por numerosos indivíduos amplificando portanto o potencial de inteligência coletiva dos grupos.

O saber fluxo que se estabelece nas relações exigem uma nova concepção de educação, um novo estilo de pedagogia que favoreça ao mesmo tempo as potencialidades criativas personalizadas individuais e coletivas em rede. Neste novo ambiente a figura do professor passa de ao invés de transmissor de conhecimento, para uma espécie de animador, ou guia das inteligências coletivas dos alunos dentro dos ambientes de aquisição do conhecimento permeado pelas novas tecnologias. O professor do futuro atuara como canalizador dos conhecimentos e ao mesmo tempo em que ajuda os alunos a descobrir também descobre e aprende dentro dos processos de construção do conhecimento.

Os sistemas públicos de educação deverão tomar para si a responsabilidade de orientar os percursos individuais no saber e de tomar para si o conjunto dos saberes pertencentes as pessoas e contribuirão par a expansão de uma nova economia do conhecimento.

Bibliografia- LEVI- Pierre/ A cibercultura/ editora 34